[Crítica] RoboCop

RoboCop

Não iremos discutir a necessidade de fazer ou não um remake do clássico RoboCop de Paul Verhoeven (de 1987), filme que discute temas que são relevantes até hoje mas que visualmente não tem a cadência que agrada o público atual. E convenhamos, o filme original usava sabiamente de uma violência extrema pra mostrar a podridão da sociedade, mas não é o tipo de coisa que gera bilheterias bilionárias no século XXI. Então vejamos o que um mesmo conceito pode gerar em um cenário diferente, com um diretor brasileiro com uma pegada crítica bem diferente e menos cínica do que do RoboCop oitentista.

Alex MurphyEm 2028, somos apresentados á uma América que ainda age como (auto-intitulada) protetora do mundo, mas que agora não arrisca a vida de nenhum soldado norte americano em solo estrangeiro. O avanço tecnológico chegou ao ponto do país, por meio da corporação OmniCorp, controlar conflitos no oriente médio apenas com sistemas robóticos programados para atacar qualquer hostilidade, e muitos se questionam porque tal prática também não é comum nas ruas dos Estados Unidos. Afinal, se já existiam robôs com a capacidade de defender a lei, por que continuar arriscando vidas humanas em nossas ruas ? O único impedimento de tal tecnologia não ser usada em solo americano era o fato de muitos acreditarem que as máquinas não teriam o discernimento de saber a diferença entre bem e mal, ou de não terem nenhum ressentimento em tirar vidas humanas. Ou melhor, vidas de cidadãos americanos.

Para contornar a lei e virar a opinião pública, o presidente da OmniCorp (Michael Keaton) pensa em uma jogada de mestre: ao invés de simplesmente colocar robôs nas ruas das cidades dos EUA, começaria um programa onde recuperaria soldados/policiais que sofreram grandes amputações, lhe dando novos membros que os permitissem voltar á ativa. O escolhido para dar inicio ao experimento foi o detetive Alex Murphy (Joel Kinnaman), que enquanto tentava desvendar um caso de corrupção policial acabou sofrendo um atentado onde perdeu 70% de seu corpo. Após a aprovação de sua esposa, Murphy é reabilitado pelo Dr. Kennett Norton (Gary Oldman) e retorna as ruas de Detroit como RoboCop, que trazia para a cidade a mesma tecnologia de combate que a Omnicorp utilizava em conflitos no exterior. Mas essa tecnologia realmente o tornaria um policial melhor ?

robocop 2014 scene

Sendo bem direto, achei o filme de mediano para ruim. Assisti a película sem o impeto de comparar ao original, mas a combinação José Padilha + politicagem futurista pedia um produto final mais intenso, e ficou claro em muitas cenas que a intenção do diretor era mesmo essa. RoboCop começa muito bem, mostrando um telejornal sensacionalista vangloriando as ações dos robôs americanos no oriente médio, que numa sequência sensacional deixa claro que não estava tão satisfeito com essa proteção. O problema é que essa pegada política é ignorada nos próximos 40 minutos de filme, que focam na transformação de Alex Murphy em um homem máquina. Algumas partes desse ato são muito interessantes e mostram os conflitos internos do policial com sua nova realidade (ele havia revivido, mas estava longe de ainda pertencer a sociedade), porém tudo fica meio perdido com a inclusão de coadjuvantes genéricos e cenas de ação pouco inspiradas. Isso culmina em um último ato meio corrido, com Murphy oscilando de homem e máquina rapidamente, vilões genéricos e um climax decepcionante, que novamente ignora algumas construções da trama para dar ao público um típico final feliz e aberto para continuações.

Pra finalizar a crítica tenho algumas reclamações técnicas. Em que momento no filme Detroit é mostrada como um lugar tão atolado de crimes que existe a necessidade de uma máquina de guerra para defendê-la ? E porque o traje preto do RoboCop mais parece saído de um live action japonês, e não algo que custou um bilhão de dólares à OmniCorp ? Fora a trilha sonora bem comedida, e alguns CGis um tanto medíocres. Esses podem até ser detalhes insignificantes para alguns, mas baixaram um pouco a imersão na história.

No todo, só não achei o filme execrável porque é possível identificar os pontos em que Padilha realmente teve liberdade de expor suas ideias. É daqueles casos que provavelmente uma versão do diretor será muito superior ao que foi aos cinemas.

RoboCop
Ano: 2014
Direção: José Padilha
Elenco: Joel Kinneman, Michael Keaton, Samuel L. Jackson, Gary Oldman, Abbie Cornish
Duração: 121 minutos
Nota: 6

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