Quem é Fantômas ? Assassino, herói, ou lutador de telecatch ?

Nomes adaptados são lugar comum em todo produto de entretenimento que é exportado pra outra cultura. As vezes fazem traduções literais, ou colocam nomes e adjetivos que “conversem” melhor com a cultura para qual aquele produto será exibido. Mas e quando a adaptação NADA tem a ver com o título original, e na verdade remete a algo totalmente oposto ?

Originado de um teatro de bonecos chamado kamishibai, o personagem Ogon Batto (Morcego Dourado) é um antigo defensor da justiça. A história começa quando o Professor Yamatome e sua filha Marie vão para o Egito em busca de resquícios da antiga civilização de Atlântida, mas enquanto viajam de navio acabam cruzando o caminho do maligno Doutor Erich Nazo, líder de uma facção criminosa que naquele instante testava uma arma de destruição em massa. Depois de terem sua embarcação destruída, durante a fuga milagrosamente os mocinhos acabam encontrando uma ilha que havia acabo de emergir dos mares devido a uma erupção vulcânica: era Atlântida ! Lá, enquanto continuam fugindo dos vilões e  buscando aguá potável (que era combustível para seu veiculo), eles encontram a tumba do antigo imperador Ogon Batto, que a cada mil anos seria acordado pra enfrentar um mal que só poderia ser vencido por ele. Assim que é revivido por Marie, o guerreiro passa a ser protetor da garota e de seus amigos, que agora devem lutar contra o Dr. Nazo e minar as tentativas do vilão em dominar o mundo.

O personagem foi criado por Ichigo Suzuki e Takeo Nagamatsu em 1931, e suas histórias ficaram tão populares que tiveram adaptações para mangá (uma delas por Osamu Tezuka), cinema e anime.

Ogon Batto ? E quem é Fantômas ?

Aqui começa a bagunça. Fantômas, na verdade é o nome de um vilão da literatura francesa criado em 1911 por Marcel Allain e Pierre Souvestre. O personagem era ladrão extremamente habilidoso, mestre nos disfarces, e que não se abstinha de assassinar e torturar pessoas para conseguir o que queria. As “aventuras” de Fantômas sempre mostravam-no em busca de roubos cada vez mais elaborados, enquanto policiais tentavam impedi-lo sem sucesso.  No começo do século 20, a história rendeu 43 livros na França, filmes, quadrinhos…e uma infinidade de cópias em outros países como Inglaterra, Estados Unidos e México.

Nos anos 60, uma editora de quadrinhos mexicana criou uma nova versão de Fantômas. Ao contrário do matador dos livros originais, sua contraparte mexicana roubava apenas por diversão, atuava no mundo inteiro, usava uma máscara, e ainda possuía várias garotas lindas como assistentes. Acabou que o personagem agora mais parecia com um “bom ladrão”, ou seja, um criminoso mostrado de forma mais romantizada e que acabava se parecendo mais com um tipo de anti-herói !

Mas e o Brasil nessa ? Muitos sabem que a luta livre era um esporte muito popular em nosso país entre os anos 60 e 80, tendo suas lutas coreografadas sendo vistas por milhões de telespectadores, que até hoje lembram com saudosismo dos seus heróis do ringue. As lutas sempre mostravam o embate do bem contra o mal, e era de praxe haverem participantes mascarados que seguiam o estilo dos lutchadores mexicanos. Em 1966 o empresário Teti Afonso criou para a TV Globo o lutador Fantômas, um lendário justiceiro mascarado que nunca revelava seu nome verdadeiro e que semanalmente enfrentava vilões mal encarados na TV. Estranhamente a unica semelhança com seu “parente” latino era o nome, e também em nada lembrava o vilão francês. Curiosamente a hq mexicana foi publicada no Brasil depois da aparição do Fantômas brasileiro, e com certeza a molecada devia estranhar o fato do mascarado dos quadrinhos nada ter a ver com o herói dos ringues. Mas se nas hqs o nome já rendeu uns trocados, o que não renderia em um novo programa de TV ?

Ogon Batto veio pro Brasil em 1973 pela TV Record, e no bom (?) e velho estilo brasileiro, teve seu nome alterado para Fantômas apenas pra atrair a atenção dos telespectadores a animação japonesa, que claramente não tinha nada a ver com o lutador do programa da TV Globo. Mas o desenho acabou também virando um sucesso, tendo quase todos os seus episódios exibidos no Brasil. Interessante que o personagem teve mais um mudança de nome: quando veio para o Brasil ele foi exibido primeiro em preto e branco, e depois foi reexibido a cores (com outra dublagem) e rebatizado de Fantaman. E foi a versão colorida que eu assisti em VHS nos anos 90, hoje facilmente encontrada no youtube 🙂

O mais legal é que os japoneses conseguiram fazer uma animação em que uma criatura aterradora tinha o papel de ser o herói da criançada. Vocês achariam normal um infante colocar sua vida nas mãos de um esqueleto dourado ambulante qeu usava capa, e tinha uma risada maligna ?

Confesso que o motivo da criação dessa coluna foi minha recente descoberta das origens do nosso querido Fantômas. Aqui irei compartilhar com os leitores as minhas “pesquisas arqueológicas” ligadas ao mundo dos super heróis, sejam esses personagens japoneses, americanos, alemães, brasileiros, mexicanos…ou uma mistura de tudo. Até a próxima.

PS: Não esperem ver algo sobre a banda Fantomas aqui no Positrôniko. Pra mim o Mike Patton devia só cantar músicas do Faith no More.

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